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7 de outubro de 2015 Sem categoria

A arte linda da linda Marina

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Filha de surfista e da mulher mais simpática que existe, Marina nasceu para o mundo. A gaúcha, em seu primeiro ano de vida, quando morava com seus pais em Garopaba (SC), já tinha pele bronzeada, cabelos louros de sol e era louca pelo mar.
Aos cinco, quando morava em Salvador (BA) com sua mãe, já sabia ler e escrever por conta própria e começou a viajar sozinha de avião para visitar sua família no sul. O espírito aventureiro, livre e independente (assim como o de toda boa aquariana) se manteve e, aos quinze, foi para a Califórnia aperfeiçoar seu inglês.
No ano seguinte, recebeu a proposta de trabalhar como modelo na China. ”Eu já estava trabalhando na área, conciliando com o colégio. Comecei a me identificar muito e quis seguir carreira. Não foi do nada que as coisas aconteceram. Tive que me dedicar muito. Emagreci dez quilos para me adequar aos padrões de beleza mundial. Na época, estava passando uma novela que falava sobre o tráfico de mulheres. Tive que ouvir opiniões alienadas para as quais nunca tive paciência, mas que influenciavam meus pais. As pessoas gostam de falar demais, principalmente sobre assuntos alheios… Sem falar que todos os meus amigos estavam na escola, onde eu deveria estar. Mas essa parte de sair da normalidade era a que eu mais gostava. Felizmente, acima de tudo, meus pais confiavam em mim. Foram nove meses intensos de trabalho. Morei em Shanghai, Gangzhou e Hong Kong com gente de todo canto. Criei responsabilidade, profissionalismo, visão de mundo. Devo ter amadurecido uns 90 anos”, brinca.
Depois disso, foi colecionando azulejos portugueses, ruas góticas de Barcelona, passeios a pé por Roma, esportes radicais em terreno carioca, músicas, bons filmes, olhares, pessoas, momentos. Hoje, aos dezenove, aplica todas as suas experiências e emoções em forma de arte, através de seus traços à mão livre por onde passa.
”No início do ano, passei em primeiro lugar na universidade federal, mas fui afastada devido à greve. Agora, estou escondida na Chapada Diamantina, longe do estresse cotidiano da cidade, cercada pela natureza. É como brinco com meu namorado, trocamos trânsito por estrelas.”
“O Capão respira arte, me inspira muito estar aqui. Alma leve, paz de espírito. Passo os dias desenhando, desenvolvendo novas técnicas, novas possibilidades, cuidando da casa e principalmente de mim. Sempre que surge uma sessão de fotos, uma pintura na parede ou qualquer encomenda, me dirijo ao destino. A internet facilita muito estar em vários lugares ao mesmo tempo”, conta.
“Conheci a caneta POSCA em 2013, quando comecei a ir para o Rio de Janeiro. Uma amiga minha tinha desenhado na prancha dela e isso me chamou a atenção. Um amigo shaper que tinha uma coleção de POSCA me emprestou para eu desenhar na minha. Na época, meu estilo ainda não estava definido, mas quando fui para Porto Alegre e minhas inspirações começaram a vir de verdade, comecei a comprar minhas próprias canetas. Desenhei de branco em uma prancha verde que eu tinha acabado de ganhar do meu pai e o resultado ficou bem bacana, chamou a atenção das pessoas.”
“Desde então, comecei a expandir minha arte e a compreender que podia viver dela. Comecei a experimentar os desenhos em violões, paredes, começaram a pedir desenhos para tatuagens, etc. Fui conquistando meu público. Meu trabalho mais recente foi um arco na parede do Massala, restaurante mais astral do Capão. O processo foi todo documentado e se tornou um vídeo muito especial. Meu sogro tinha visto fotos, mas quando entrou para ver pessoalmente tinha uma família olhando para o meu desenho. Ele começou a olhar também, e eles perguntaram se ele tinha gostado. Encheu a boca de orgulho para falar que foi a nora dele quem fez, me chamou para dentro e as pessoas começaram a aplaudir meu trabalho. Foi muito gratificante!”
“Gosto de relação positiva que as pessoas criam com minha arte. Entram em contato comigo, mandam fotos dos produtos adquiridos… Outro dia, montei uma barraquinha vendendo pratos de cerâmica com desenhos de POSCA em cima. Os que eu tinha levado prontos venderam super rápido, tive que comprar mais para fazer na hora com encomendas dos que passavam e juntou um público super bacana para me observar trabalhando. Os traços à mão livre aceleram o trabalho, consigo entregar um produto finalizado em 5 minutos. Materiais de superfície lisa recebem muito bem a POSCA, ela desliza em pranchas, violões, vidros… Já nas paredes, por conta de irregularidades, acaba sendo um trabalho mais lento para uma boa finalização, mas é o mais divertido.”
“Semana que vem estou indo para Salvador realizar alguns trabalhos de modelo e já tenho encomendados… Uma parede, uma porta, uma prancha e um violão. Meu desenho se baseia no momento e nas pessoas. O bom dos meus clientes é que eles raramente pedem “faça isso”. Pelo contrário! Então, fico muito à vontade para me expressar e o resultado é sempre uma surpresa, principalmente para mim. Estou com demandas para o Brasil inteiro, começando a organizar algumas viagens para atendê-las.”
Para ver mais trabalhos da Marina, acesse o site e siga-a no Instagram.
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