Conheça o trabalho da estilista Rafaela Monteiro

Criadora faz várias parcerias e leva seus traços para bolsas, shapes de skate, óculos e camisetas, todas com ilustrações diferentes

Fonte: ela.oglobo.globo.com

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Óculos, bolsas, sapatilhas e shapes com o traço de Rafaela Monteiro (Foto: Ivo Gonzalez)

RIO – Foi em uma noite de karaokê na Feira de São Cristóvão que Rafaela Monteiro esbarrou com uma barraca de acessórios de um senhor baiano de 84 anos e comprou uma bolsa, dessas simples, de couro duro cru. Em casa, com uma caneta POSCA de tinta preta na mão, começou a desenhar em cima. Fez escamas, olhos, folhas e quando viu tinha uma bolsa toda incrementada. As amigas adoraram e lá foi ela de novo à feira atrás de mais delas.

— Começou assim, uma amiga pediu, outras quiseram e se espalhou. Além das bolsas, fiz sandálias e, agora, desenharei também em cartucheiras. Em algumas das peças eu pedi pequenas alterações e o artesão fez, um parceiro mesmo — conta Rafaela, que por causa desse boca a boca entre amigas e amigas das amigas acabou sendo chamada pela Maria Filó para fazer 270 bolsas, lançadas na semana passada.

E também shapes de skate em parceria com a El Phante, sapatilhas com a Alice Disse, camisetas com a Mesclado e óculos com a Kliver. Todas as peças estampadas com o traço típico de Rafaela, que não tem rascunho, feito ali no calor do momento com canetas e nunca um igual ao outro.

— Consigo fazer igual, mas aí qual seria a graça? Não quero entrar em sistema de produção, de estar em todos os lugares, não gostaria de “romerobritar” o meu nome — brinca ela sobre o DNA artesanal.

Sem contar as paredes de residências, das lojas e, em breve, das ruas.

— Adoro desenhar grande e estou doida para fazer um muro — avisa ela, que ainda trabalha com quadros, pratos e qualquer outra superfície que combine com as suas canetas.

Rafaela, que é formada em Moda, cresceu vendo o pai artesão trabalhar. Ele mexia com tudo, morava no mundo, foi um típico hippie dos anos 1970. Daqueles que fazia porta incenso de Durepoxi, mas também ilustrava no couro com pirógrafo. Ter interesse pelos pincéis e facilidade para o desenho foi algo natural para a mineira de Monte Sião.

— Minha mãe, tensa com o meu futuro, dizia para eu estudar outra coisa que não fosse Artes Plásticas. Pensei em Arquitetura, mas acabei cursando Moda — lembra ela, que logo em seu primeiro estágio se decepcionou. — Eu ficava etiquetando as peças. Aquilo até me deu bloqueio criativo.

Só desbloqueou quando trabalhou na Daspu, em que lançou a coleção Na Pista: BR-69, a primeira da marca focada nas prostitutas, em 2006.

— Esta coleção nunca chegou a ser vendida, mas adorei fazer — lembra ela que de lá foi trabalhar com figurino
para TV.

Apesar das várias parcerias, foi no começo do ano que ela entrou para a sua fase mais artística. Saiu do trabalho, passou na Casa Cruz, comprou tudo que era material de desenho e saiu rabiscando. Foi, assim, quase ao acaso, que a Rafaela artista veio à baila e deu nisso tudo.

Para ver mais trabalhos dela, acesse www.rafailustra.com.