Zine
O movimento das plantas

Na praça ao lado da igreja, em Santo André, Carolina Delleteze às vezes senta na grama com um caderno. Fica ali alguns minutos observando as árvores. Repara se o galho cresce para a direita ou para a esquerda, onde engrossa, onde afina, quando a cor muda. Faz desenhos de observação para estudar o movimento das plantas e, ao mesmo tempo, se afastar um pouco da rotina.
Carol tem 35 anos. Nasceu e cresceu em Araçatuba, no interior de São Paulo. A infância foi marcada pelo contato constante com a natureza: brincadeiras no mato, banho de rio, tempo ao ar livre. O interesse pelo desenho começou cedo. Ela não sabe apontar um momento exato, mas lembra que sempre quis desenhar e pintar. A mãe percebeu e incentivou. Aos seis anos, Carol passou a frequentar o ateliê da artista Renata Madeira, na cidade.
No ateliê, a história da arte era apresentada junto com o contexto político e com a vida dos artistas. Carol ficou ali até o colegial. Em algum momento desse percurso, o interesse pelas plantas ganhou centralidade. Flores, folhas e árvores passaram a ocupar o espaço principal do seu trabalho.
Aos 20 anos, mudou-se para o ABC paulista. Vive em Santo André há cerca de 15 anos. A mudança ampliou seu repertório. Ela destaca a presença de muitos artistas na região, as trocas em projetos, as conversas, o acesso a museus, exposições e eventos culturais, algo que no interior era mais limitado. Esse ambiente influenciou tanto sua visão artística quanto aspectos técnicos do trabalho.
O processo criativo continua ligado à observação. Carol gosta de caminhar, ir a parques e praças, desenhar o que vê para entender formas e movimentos. Não reproduz exatamente o que observou. O desenho serve como estudo. Depois, em casa, desenvolve trabalhos a partir do que elaborou internamente.
A inspiração, segundo ela, está nas pequenas situações do cotidiano. Observar o céu, perceber uma planta que cresce no meio do cimento, acompanhar o desenvolvimento do filho. Mãe solo, Carol organiza o tempo entre o trabalho e os cuidados com a criança. Fala da importância de estar atenta ao que está ao redor.
Formada em design de interiores, Carol trabalhou durante anos com comunicação, em agência e em outras frentes. No meio do ano passado, decidiu interromper os trabalhos para outras pessoas e focar na própria produção. O plano para este ano é se dedicar ao que considera seu projeto autoral, estudando também aspectos de mercado, finanças e gestão. Ela reconhece que essa parte é necessária para quem deseja manter a arte como profissão.
Ao falar com quem está começando, recomenda aproveitar o processo e manter a liberdade que existe na infância, quando desenhar não está ligado a certo ou errado. Ao mesmo tempo, ressalta a importância de aprender sobre o funcionamento do mercado.
Nas horas de lazer, recomenda dois jogos de videogame: Journey, pela experiência sensorial e pelas paisagens, e Genshin Impact, também pelos cenários. A escolha reforça o interesse por ambientes e atmosferas visuais.
Carol diz que não tem um lugar específico favorito no mundo. Prefere pensar que seu lugar é onde está em paz e onde o filho está bem. Com papel e caneta, afirma que consegue trabalhar em qualquer espaço.
Hoje, a prioridade é continuar criando e consolidar o próprio caminho. Depois de anos desenvolvendo projetos para outros, ela busca estruturar a própria trajetória, mantendo a relação com a natureza como eixo central do trabalho.
Para conhecer mais do trabalho dela, cola no Instagram: instagram.com/caroldelleteze/.
